Se você ou alguém perto de você está com dor no peito agora, pare de ler e ligue 192 (SAMU).
Em uma situação fictícia, usada apenas para ilustrar os sinais, era domingo à tarde quando Seu Carlos, 61 anos, sentiu um peso no peito durante o almoço da família. Achou que era indigestão e foi deitar. A dor foi para o braço esquerdo e para a mandíbula; ele começou a suar frio. A neta, que tinha visto um vídeo sobre os sinais de infarto, insistiu e chamou o SAMU. No hospital, o médico disse que aqueles minutos fizeram a diferença. Seu Carlos e sua família são personagens fictícios.
Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte no Brasil, com estimativa de 300 mil a 400 mil casos por ano. Reconhecer os sinais e agir rápido salva vidas. Este guia explica como.
O que é o infarto
O coração é um músculo que precisa de sangue o tempo todo. Esse sangue chega pelas artérias coronárias. Com os anos, placas de gordura podem se formar dentro delas. Quando uma placa se rompe, forma-se um coágulo que bloqueia a artéria. A parte do coração que dependia daquele sangue começa a sofrer e, se nada for feito, morre. Por isso os médicos dizem: “tempo é músculo”.
Os sintomas
Os sinais clássicos
- Dor, aperto, peso ou queimação no peito, geralmente no centro ou do lado esquerdo, que dura mais de alguns minutos ou vai e volta.
- Dor que se espalha para o braço esquerdo (ou os dois), as costas, o pescoço, a mandíbula ou a parte alta da barriga.
- Falta de ar.
- Suor frio.
- Náusea ou vômito.
- Tontura, fraqueza ou sensação de desmaio.
- Sensação de morte iminente.
Os sinais atípicos
Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, o infarto pode vir sem a dor forte no peito: cansaço extremo e repentino, falta de ar, enjoo, dor nas costas, no estômago ou na mandíbula, mal-estar difícil de descrever. Muitas mulheres demoram mais a procurar ajuda justamente porque os sintomas não parecem “de infarto”. Na dúvida, procure atendimento.
Os sintomas variam e não permitem descartar infarto em casa. Dor no peito ou mal-estar súbito com falta de ar, suor frio ou desmaio exigem avaliação urgente.
O que fazer na hora
- Ligue 192 imediatamente. Diga “suspeita de infarto”, a idade, os sintomas e o endereço completo, com ponto de referência.
- Não dirija se for você com sintomas. Se não houver ambulância, outra pessoa leva.
- Fique em repouso, sentado ou semideitado, e afrouxe roupas apertadas.
- Não tome remédios por conta própria. Siga as orientações do atendente do SAMU, que pode orientar sobre medicação conforme o caso.
- Separe os remédios que a pessoa usa e os documentos.
- Se a pessoa desmaiar e não respirar normalmente, comece a massagem cardíaca: mãos no centro do peito, braços esticados, empurrando forte e rápido, cerca de 100 a 120 vezes por minuto, até a ajuda chegar. O atendente do 192 orienta pelo telefone.
Não espere “para ver se passa”. O tratamento que desobstrui a artéria funciona melhor nas primeiras horas.
Quem tem mais risco
| Fator de risco | O que fazer |
|---|---|
| Pressão alta | Medir regularmente e tratar |
| Diabetes | Controlar a glicose e fazer exames de rotina |
| Colesterol alto | Exames de rotina e tratamento quando indicado |
| Tabagismo | Parar de fumar; o SUS oferece tratamento gratuito |
| Sedentarismo | 150 minutos de atividade por semana |
| Obesidade, principalmente abdominal | Alimentação equilibrada e movimento |
| Histórico familiar precoce | Contar ao médico e fazer acompanhamento |
| Estresse crônico e sono ruim | Cuidar da mente e do descanso |
Prevenção no dia a dia
- Conheça seus números: pressão, glicose e colesterol. Muitos problemas não dão sintomas.
- Mexa-se: comece pelo plano de caminhada de 8 semanas.
- Coma comida de verdade: mais verduras, frutas, grãos e peixes; menos sal, açúcar, embutidos e ultraprocessados. Cozinhar em casa ajuda; veja o guia da cozinha da família.
- Não fume.
- Durma bem e cuide da ansiedade: leia como dormir melhor e ansiedade.
- Siga o tratamento se já tem pressão alta, diabetes ou colesterol alto.
Acompanhar em casa
Para quem tem pressão alta ou fatores de risco, medir em casa ajuda o médico a ajustar o tratamento:
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Muitas vezes, quem reconhece o infarto e liga para o 192 não é o paciente, é alguém da casa, como a neta de Seu Carlos. Compartilhe este texto com sua família e ensine às crianças o número 192. Em 1 Coríntios 12:26, Paulo diz que, quando um membro sofre, todos sofrem com ele. Cuidar uns dos outros também é saber agir na hora certa.
Perguntas frequentes
Dor no peito sempre é infarto?
Não. Pode ter causas musculares, gástricas, pulmonares ou ser ansiedade. Mas só um médico pode descartar o infarto, por isso a dor no peito deve ser avaliada com urgência.
Crise de ansiedade pode parecer infarto?
Sim. Mesmo assim, procure atendimento: o médico precisa descartar um problema no coração, principalmente na primeira vez.
Jovens podem infartar?
Sim, embora seja menos comum. Tabagismo, uso de drogas, histórico familiar e colesterol muito alto aumentam o risco.
O que é infarto silencioso?
É o infarto com sintomas leves ou atípicos, que a pessoa não percebe como grave. É mais comum em idosos e pessoas com diabetes.
Quem já teve infarto pode ter vida normal?
Na maioria dos casos, sim, com tratamento, reabilitação cardíaca e mudança de hábitos, sempre com acompanhamento médico.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou outro profissional de saúde. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).
Fontes consultadas: Ministério da Saúde — Infarto; Ministério da Saúde — SAMU 192; OMS — Atividade física. Atualização editorial: 30/10/2026.